ASSIM É, SE LHE PARECE - o mistério das cores

Cinza e azul ou rosa e branco? Azul e preto ou branco e dourado?

Recentemente, a foto de um tênis repetiu o fenômeno do vestido de 2015. Pessoas atribuem, com absoluta convicção, cores diferentes para um mesmo objeto.



A melhor explicação para esse fenômeno é, na verdade, a mais simples. Nosso cérebro interpreta os sinais que recebe e constrói sua própria versão da ‘realidade’.

Essa constatação tem implicações que vão além das cores dos objetos. Não apenas valem para os demais sentidos, além da visão, como para as informações que recebemos.

Nosso cérebro contextualiza as informações que recebe, combinando-as com outras informações, memórias e emoções. E, segundo os diversos pesquisadores que se debruçaram sobre o tema nos últimos anos, quando o assunto é cor os hormônios (testosterona) e proteínas (opsinas) também parecem interferir no processo.

Essa combinação de fatores que inclui bioquímica, arquitetura cerebral, atividade neuronal e estado emocional é que determina como as imagens são percebidas.

Entre 25 e 30 regiões do córtex cerebral trabalham em conjunto para interpretar a informação visual, cada uma dedicada a decodificar um aspecto específico como cor, forma e movimento. E o conjunto dessas interpretações ainda passa por um processo de simplificação para conferir ‘estabilidade’ à conclusão, ou seja, uma vez decidida a ‘versão’ mais provável para a realidade, o cérebro se encarrega de mantê-la estável diante de pequenas variações.

As cores do vestido e do tênis estão no limiar desse processo de simplificação.

Estudos empíricos indicam que as mulheres, de um modo geral, são mais capazes de perceber pequenas diferenças de coloração. A teoria mais frequentemente aceita é a de que o cromossomo X está relacionado com a produção de opsinas (proteínas fotorreceptoras que ajudam a detectar cores) e, como as mulheres têm dois desses cromossomos, sua capacidade de distinção é maior.

Os homens, por sua vez, parecem ser capazes de identificar variações de forma e movimento com mais rapidez, e acredita-se que a testosterona esteja relacionada com essa particularidade.

E, em ambos os casos, há que se considerar os vícios interpretativos desenvolvidos pelo cérebro ao longo da história do indivíduo, ou seja, o condicionamento para adaptar a interpretação ao contexto (variações de luminosidade, origem da imagem, qualidade da reprodução etc.).

No PURVESLAB você encontra vários exemplos interessantes de 'distorções' interpretativas.

Para tudo isso, a ciência ainda tem mais hipóteses do que certezas.

Mas o fenômeno serve como um alerta para nos lembrar que, via de regra, não trabalhamos com uma realidade absoluta, mas com uma interpretação contextualizada de informações (sensações), transformadas em impulsos elétricos e processadas pelo cérebro, que forma algum sentido próprio a partir delas.

Não surpreende que a realidade de cada um seja diferente.


Alguns links para quem se interessa pelo assunto:

https://super.abril.com.br/ciencia/a-otica-do-cerebro-neuronios-e-eletricidade/

http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2015/02/ciencia-desvenda-misterio-do-vestido-que-muda-de-cor.html

https://www.megacurioso.com.br/corpo-humano/36371-por-que-os-homens-nao-conseguem-distinguir-tantas-cores-quanto-as-mulheres-.htm