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Quando o robô é a mensagem


Tinbot, da DB!, na Whow! 2019

Tinbot, um robô brasileiro, foi destaque no segundo dia da terceira edição do Whow!, o festival de inovação, que aconteceu entre os dias 23 e 25 de Julho na Arca, em São Paulo.

O simpático robô programável foi inicialmente desenvolvido pela DB1 Global Software para exercer a função de Scrum Master e melhorar a eficiência e desempenho das equipes de desenvolvimento de software.

“Já percebemos que um feedback dado pelo Tinbot, e por ele ser um robô, é recebido de uma forma muito diferente do que se fosse dado por uma pessoa” - Rogério Souza

Rogério Gonçalves de Souza, Diretor de Inovação da DB1, ressalta que a utilização do Tinbot para estimular o grupo e controlar as métricas de desempenho vem sendo uma experiência muito positiva. Segundo Rogério, mesmo quando o ´feedback´ é negativo, a aceitação é positiva e as pessoas relevam e até acham engraçado quando ele aponta erros e pontos a melhorar.

A relação dos humanos com as máquinas animadas por inteligência artificial é um fato novo, e as reações são diversificadas e curiosas. Há quem se sinta desconfortável com a humanização das máquinas e quem se encante por elas.

Mas em todos os casos, o robô é parte da mensagem. Ele não tem emoções e, portanto, não julga. Apenas segue as instruções de seu algoritmo, acessando sua base de dados a partir das informações capturadas por seus sensores.

Mesmo que não estejamos particularmente conscientes desse processo no momento, ou ainda que consideremos que o algoritmo foi desenhado por algum humano (a partir do seu juízo de valor), a interface com a qual estamos interagindo (o robô) é percebida como neutra, e parece divertida em sua ingênua neutralidade para a maioria das pessoas. O Tinbot tem a aparência de um brinquedo infantil, o que estimula a interação lúdica.


Sophia, o robô com aparência feminina da Hanston Robotics, não desperta as mesmas sensações. Sua aparência mais humana e seu propósito explícito (aprender a expressar emoções humanas), tendem a despertar empatia e compaixão.

A série Western World (Netflix) explora o tema das relações humanas com andróides inteligentes praticamente indistinguíveis dos humanos, num ambiente de impunidade (pode-se fazer o que quiser com eles). Os roteiristas exploram todas as possibilidades e nos dão muito o que pensar.

A "servilidade" é a característica mais comum entre as diferentes interfaces de inteligência artificial disponíveis para interação cotidiana até o momento. Siri, Cortana, Alexa e Joice, entre outras assistentes acionadas por voz, vêm sendo criticadas pela ONU por serem femininas e subservientes, aceitando insultos com relativa passividade, o que estimularia o assédio sexista, na opinião da organização.

Em resposta a essa crítica, a agência de publicidade Virtue Nordic, em parceria com os pesquisadores do Copenhagen Pride e da produtora Equal EI, criaram "Q", criaram a primeira voz artificial ´agênero` (sem gênero identificável) para dispositivos de resposta verbal, que foi apresentada ao público na SXSW de 2019.


Ainda que estejamos vivendo o que talvez seja a era de maior racionalidade da humanidade, nossa relação com o mundo que nos cerca segue repleta de simbolismos que despertam emoções.

Mas o tempo transforma os símbolos. Um bom exemplo disso é o da palavra impressa. Até recentemente, livros e jornais eram percebidos como portadores de verdades incontestáveis, o que vem sendo desconstruído apenas no presente século.

Nossa relação com as inteligências artificiais ainda está engatinhando.

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