• Editorial

Aprender a Aprender - por Ricardo Voltan

A realidade do professor, mentor e mediador.


Hoje discute-se como devem agir qual e perfil dos professores universitários e alunos recémformados, nesta nova economia? Como prepara-los para um futuro profissional?

Um renomado professor abordou-me com a pergunta: "como fazer para estimular os alunos aprender e empreender? Como integrar este conhecimento entre docente e discente e introduzir o mindset, (mentalidade), de empreendedorismo nesses atores?

Pensei muito antes de responder, busquei minhas experiências e amigos empreendedores e professores que viraram a chave, que não é tarefa fácil. Listo três pontos principais para começar a discussão.


OBSERVE ALGUNS FATORES:

Em 1996, Jeremy Rifkin afirmou em seu livro “O fim dos empregos”, que os próximos 30 anos seriam de menos emprego e mais trabalho.

A partir desse momento entra em cena a questão levantada sobre os atores do momento atual. Como eles se encaixam na nova economia global em tantas mudanças de significados, valores e tanto propósito à mesa?


OLHE O MERCADO

Universidades e professores, precisam oferecer aos alunos não apenas a base, mas a verticalização em empreendedorismo, complementando com, praticidade, o com atuar nesse palco da nova economia global.

Em pesquisa publicada no jornal Estado, onde fora pesquisados 357 alunos de faculdades de ponta do País, como USP, Unicamp, PUC-RJ, Insper e FGV, para entender a relação do jovem universitário com o mercado empreendedor, chegou-se a um dado interessante.

O levantamento indica que 21,3% dos entrevistados querem montar uma startup, enquanto 23,2% desejam trabalhar em uma empresa do tipo. Segundo a pesquisa, os estudantes veem no empreendedorismo chances de carreiras com desenvolvimento profissional, aliado a bons salários e maior qualidade de vida.

Podemos ver até bons números mas muito baixos em comparação com o potencial do mercado.


RESSIGNIFICAÇÃO DAS CORPORAÇÕES

As corporações mais visionárias já sentem na pele os reflexos dessa economia colaborativa, e estão mudado o core, (business (modelo de negócio), de suas operações. Em alguns países, além do propósito do negócio cujo impacto vai direto ao perfil do colaborador, elas já se adaptam às demandas ágeis e dinâmicas desse momento. Com esse cenário, alunos e os professores podem romper fronteiras, saindo da visão de sociedade industrial.

Nessa cena, o perfil dos novos profissionais deve ser composto por habilidades e características que vão além da tecnologia, somar novas áreas de conhecimento, inclusive empreendedorismo.

Neste palco, as empresas buscam humanizar cada vez mais seus processos internos, uma vez que o foco realmente não é mais o produto e, sim, as pessoas.


PROFESSOR - MENTOR, GESTOR, MEDIADOR

Voltando para sala de aula. Mas que sala e aula? Será que ainda devemos utilizar essas nomenclaturas, ou chamemos de ambiente de discussão, empreendedorismo e inovação, algo como TrainingLab ou ClassroomLab?

Quando se fala de desruptura, (palavra que não consta dos dicionários de português - deriva de "disruption" (disrupção), do inglês - quebra ou descontinuação de um processo já estabelecido), acredito que essa nomenclatura, sala e aula, também deva mudar. Devendo ir muito além, levando as pessoas a pensarem em novas soluções de problemas, os quais ainda nem existem.

A figura do professor foi pivotada (O termo derivado do inglês to pivot (“mudar” ou “girar”) e designa uma mudança radical no rumo do negócio). Ele assumirá novas responsabilidades, como:

MENTOR - orientado alunos a aprender a aprender, para que busquem conteúdos diversos, estruturados e filtrados, que resolvem questões reais.

GESTOR - ele deixa de ter uma sala e aula, agora tem um grupo de colaboradores, compartilhando conhecimentos, experiencias e vivências para um fim comum. O conteúdo centralizado passa a ser multicanal o celular entra no cenário.

MEDIADOR- ao criar todo esse ambiente de compartilhamento, levando a discussão de ideias e soluções reais, esse ator passa a ser uma figura central, criando um ambiente de debates saudáveis para desafios de projetos aplicáveis, com impacto real na sociedade.


EM QUAL MESTRADO E/OU DOUTORADO SE ENSINA ISSO?

Na prática não. Os professores terão que entrar no octógono da inovação e empreendedorismo para se aprimorarem e cumprirem a nova missão. Não existe outra forma de vivência para o tem empreendedorismo e inovação. São vários coworkings, palestras, hackathons, demodays, grupos e muitas outras opções para que o aprimoramento dos conhecimentos na nova economia global.

Estamos vendo novos conceitos, valores, tendências, métricas, relação tempo-espaço se transformando na nossa frente.


TEMPO E ESPAÇO

Com tanta tecnologia em nossas mãos, é fácil entender que trabalharmos 30x7. Como assim? Já são tantas conexões, inclusive internacionais, envolvidas em nosso trabalho que podemos, sim, fazer essa afirmação.


COMO PENSAR O NOSSO FUTURO

Estudiosos em futurismo, já afirmam que por volta de 2035, passaremos a ter tempo, isso por conta de tecnologias exponenciais aplicadas no nosso dia a dia, que nos leva a um alerta, o que o ser humano vai fazer com esse “tempo”que ele passa a ter? Qual a nossa real relação com todas essas verticais e como caminhar com elas?


FAZENDO ACONTECER

Ao implementar essas novas concepções, será possível transformar o mindset dos atores desse trabalho mas também ir além, transformando setores inteiros da economia, que há décadas não passavam por mudanças tão intensas inclusive educação.



Ricardo Voltan

Empreendedor | Hacker Corporation | Co Founder e Mentor startups | Analise de Negócios

Professor EAD no SEDA Hub