Cliente, concorrente ou parceiro?

Modelos de negócio colaborativos, economia do compartilhamento, inovação aberta, cocriação, e outras novidades que acompanham a era digital, derrubaram velhos paradigmas estratégicos.

Uma matéria da Bloomberg de 01/07/19 aponta que 17 das 22 startups mais relevantes que fizeram IPO nos últimos 18 meses, indicaram Google e Amazon como principais ameaças concorrenciais, e tinham algum grau de dependência dos dois gigantes.

Na pratica, as gigantes do mundo digital e as telecom constituem a infraestrutura que permite o surgimento das startups.

O relacionamento é simbiótico e a ideia é a de que seja benéfico para ambas as partes, embora as novidades possa trazer desequilíbrios.

Os aplicativos de comunicação OTT (over the top) como o Whatsapp, por exemplo, causaram um enorme impacto negativo nas receitas das empresas de telefonia (ligações e mensagens) e obrigaram-nas a repensar seu negócio.

Os novos algoritmos do Facebook impactaram significativamente as iniciativas que dependiam da interação orgânica para geração de fluxo de acesso e obrigaram-nas a investir na divulgação de suas ofertas, aumentando seu custo operacional.

Com o passar do tempo, o ecossistema se reequilibra a partir da lógica dos negócios.

O que assusta os novos empreendedores mais conscientes, é a fragilidade gerada pela dependência e a disparidade do poder econômico. Mas o fato é que esse é o preço a pagar pela viabilização de negócios que, de outra forma, não poderiam existir pois requereriam investimentos astronômicos de infraestrutura.

De acodo com o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), mais de 100 milhões de startups são lançadas por ano, e os grandes players digitais contam com esse volume de atividade para sustentar seus negócios.

A economia ´tradicional´, originalmente menos dependente do ecossistema digital, demorou mais para assimilar as possibilidades oferecidas pela economia compartilhada, principalmente porque, no início, as oportunidades não compensavam os riscos.

Mas já está claro, mesmo para o ´velho mundo´, que a inteligência colaborativa é tão importante quanto a competitiva, e que a condição de cliente, fornecedor ou parceiro é situacional.

O momento é de transformação cultural.