Educação Executiva em transição

O mundo dos negócios acelerou e novas competências são requeridas dos profissionais todos os dias.

MBAs, Mestrados e Doutorados continuam tendo o seu valor. Mas, quando se trata do C-Level das organizações, a demanda por conhecimento específico, objetivo, profundo, rápido e imediatamente aplicável é emergencial.

As principais casas de conhecimento do país identificaram essa necessidade (e oportunidade), passando a desenvolver programas exclusivos para altos executivos.

O mais interessante é que os melhores programas fogem dos padrões tradicionais das Universidades.

Em 2018, quando escrevia o livro “Atitude Digital”, entrevistei Paulo Lemos, diretor responsável pelos programas de educação executiva da FGV de São Paulo. Ele compartilhou comigo sua visão para o desenvolvimento de programas, afirmando que as Universidades deveriam manter seu papel de curadoras do conhecimento, mas incorporar aspectos mais vivenciais a seus programas, para que os alunos pudessem se apropriar do conhecimento pela experiência real de sua aplicação.

A FGV, reconhecida mundialmente pela tradição na formação acadêmica de executivos, oferece hoje um dos mais completos programas para o C-Level, dividido em três módulos: Liderança e Inovação, Estratégia e Negócios e Competência Funcional.

A ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, uma das primeiras escolas brasileiras a oferecer programas modulares para temas emergentes, desde a década de 1980, além da infinidade de cursos “lifelong learning” com foco na atualização profissional (com várias opções também on-line), decidiu criar seu programa C-Level que, além da grade regular, inclui programas específicos com parceiros especializados como a IBM (Technology Foresight and Marketing Intelligence) e CIFS – Copenhagen Institute for Futures Studies (Inovação Sustentável Inspirada por Cenários Futuros) e incorpora o conceito da construção de uma rede de relacionamento entre os “top executives” e os parceiros especializados.

O primeiro curso, em parceria com a IBM, concretizou o “soft opening” ESPM C-Level Academy no final do ano passado com sucesso.

O programa do CIFS, que acontece pela primeira vez na América Latina, dever ir ao ar no próximo mês de março.

Além das tradicionais instituições acadêmicas, cresce o número de iniciativas promovidas por novas “escolas de negócio” oferecendo programas alternativos, que incluem desde viagens internacionais de curta duração para exploração de polos de tecnologia até aulas de Yoga, exercícios de meditação e laboratórios de criatividade.

Tudo isso concorre com uma oferta quase infinita de cursos on-line sobre qualquer tema que você possa imaginar, mas que não são capazes de oferecer a riqueza da vivência e as oportunidades dos contatos presenciais.

Uma questão paralela é que a motivação do executivo para escolha de um programa não costuma se limitar ao conhecimento a ser adquirido, ou mesmo ao networking. Um bom curso em uma instituição renomada pode ser uma estrela a mais em seu currículo e fazer diferença no momento da disputa por uma posição.

Se no início do século um MBA era quase indispensável, na década passada um programa na Singularity, no Vale do Silício, abordando as tecnologias exponenciais, era o que diferenciava um CEO com atitude digital.

Nesta próxima década, embora a tecnologia siga sendo um vetor importante, o ser humano volta ao centro das discussões sobre inovação e a compreensão dos fenômenos sociais ganhará relevância.

Há que se considerar isso ao escolher o próximo carimbo no currículo.