O museu das grandes novidades

Estima-se que mais de 100 milhões de startups sejam abertas por ano no mundo, segundo o levantamento do ecossistema de inovação InnMind, sem considerar as que desaparecem antes de serem formalizados.

Inspirados pela paixão por suas ideias criativas, empreendedores sonham com a possibilidade de alcançarem o status de Unicórnio (empresa avaliada em mais de um bilhão de dólares).

Mas a dura realidade é que 4 em cada 5 startups deixarão de existir em 10 anos, mesmo após receberem investimentos, derrotadas pelos cenários futuros.

O que parecia uma boa ideia no momento de sua concepção, não resiste às transformações do mundo, e as startups inovadoras em sua origem são vítimas de novas inovações.

Um dos principais fatores que motivam essa mortalidade é a evolução tecnológica. As startups costumam nascer a partir de alguma nova tecnologia, que torna possível a execução de uma ideia, mas essa tecnologia se torna rapidamente obsoleta.

Esse fenômeno também afeta as inovações “in company”, desenvolvida nos laboratórios de grandes empresas.

O caminho para escapar dessa armadilha é deslocar o foco da tecnologia para o ser humano e concentrar a atenção na evolução dos desejos e necessidades, nas futuras tecnologias que estarão disponíveis e na potencial sustentabilidade do negócio.

"As motivações dos seres humanos são o primeiro filtro para ideias inovadoras."

Se observamos hoje as motivações para transformação da sociedade, vamos encontrar que as pessoas estão preocupadas com a saúde e com sua situação financeira, e em busca de segurança, qualidade de vida e desenvolvimento pessoal, em seu sentido mais amplo, um cenário que deve permanecer vigente por toda a década.

Motivações devem ser o primeiro filtro para a inovação, porque são elas que impulsionam as transformações.

Tudo aquilo que oferece a oportunidade para vivermos novas experiências e desenvolvermos novas habilidades, que nos tornem pessoas melhores e mais aptas a sobreviver nesse futuro incerto que se apresenta, terá mais chance de se perpetuar. Se estiver conectado a um propósito maior, à sustentabilidade e à consciência social, ainda melhor

Da mesma forma, soluções relacionadas com segurança, saúde preventiva e produtividade encontrarão terreno fértil para prosperar.

Tendo isso em mente, podemos olhar para os recursos que estão ou estarão disponíveis, tecnológicos, econômicos, sociais e ambientais, para o desenvolvimento da inovação,

As novas gerações de Inteligência Artificial e Realidade Virtual, as possibilidades de bio-monitoramento e tratamento genético, a democratização do acesso à internet de banda larga, as novas alternativas de produção de energia renovável, o acesso a financiamentos com taxas de juros mais baixas, a transformação da legislação trabalhista flexibilizando e reduzindo o custo de contratação, a diversidade e riqueza natural do Brasil são alguns bons exemplos do que teremos à disposição para inovar.

Trazendo o conceito para a realidade concreta, podemos pensar em inovações direcionadas para eficiência energética do setor industrial, o turismo com propósito no campo pessoal, e o pay-per-use no ecossistema de serviços.

O importante é ter em mente que novidades que não estiverem apoiadas pelas motivações humanas do período, correm o risco de irem mais cedo para o museu.