Facebook Quest: o desafio VR

O Facebook comprou a Oculus há cinco anos, e vem investindo em realizar seu projeto de realidade virtual desde então.


Oculos Quest e Rift - Facebook

O lançamento do Quest, neste final de Abril, oferece ao mercado o que é, provavelmente, o melhor dispositivo de VR (virtual reality) produzido até o momento.

Embora esse tipo de equipamento faça sucesso em eventos e feiras, como um símbolo lúdico das promessas futuras da tecnologia, a grande questão é sua utilidade cotidiana.

Em outros tempos, o Facebook poderia contar com a disposição consumista para que uma legião de colecionadores de gadgets tecnológicos adquirisse um exemplar.

Mas a imaterialidade é uma megatrend que vem se manifestando com mais força nesta década. Queremos a experiência de uso, mas não precisamos possuir.

Para que serve, afinal, a realidade virtual?

Considerando os resultados dos testes que vêm sendo efetuados pela Huawei para o 5G, chegando a atingir 650 Mbps com 1,5 ms de latência neste mês, é possível que os gamers venham a ser potenciais compradores.

Mas para o ser humano comum, a curva de adoção deverá trilhar outros caminhos, talvez associados a experiências meditativas, turismo virtual, shows e outras vivências sensoriais.

Claro que Zuckerberg tem planos mais ambiciosos e vislumbra outras possibilidades, além do grande público, como a aplicação de VR e AR (realidade aumentada) para empresas e para educação. Contudo, essas são área conservadoras, que só recentemente adotaram, de forma mais intensa, as facilidades do ensino à distância e a possibilidade de trabalho remoto, coisas que a tecnologia oferece há um par de décadas. E a paciência de investidores não costuma durar tanto.

Considerando os bilhões de dólares já aportados no negócio, a velocidade de massificação da adoção é um ‘deal breaker’ para os sonhos de Zuckerberg.

Saúde, educação, entretenimento e eventos corporativos, apenas para citar alguns casos, são áreas para as quais a realidade virtual vem contribuindo com sucesso, mas não em escala suficiente para satisfazer o apetite dos grandes e compensar seus investimentos.