2021: desejos sem promessas

No mundo ocidental, a efeméride do ano novo representa uma oportunidade de renovação, individual e coletiva.

Olhamos para o futuro com a esperança de que seja melhor, tomando decisões e fazendo promessas para que isso aconteça.

Retomamos um ciclo que costuma ter quatro momentos.

No primeiro, visualizamos o que queremos e nos comprometemos a trabalhar para isso durante o ano, e isso alimenta nosso otimismo nos primeiros meses do ano. É o momento do encantamento.

No segundo, que no Brasil costuma começar após o Carnaval, nos damos conta de que o tempo está passando e ainda não colocamos nossos planos em prática. É o momento da iniciativa criativa.

O início do segundo semestre marca o terceiro momento, quando constatamos que nem tudo está acontecendo conforme havíamos imaginado no começo do ano, e a ideia de que ainda dá tempo para consertar as coisas nos motiva a trabalhar mais. É o momento do trabalho árduo.

Lá pelo final de outubro ou início de novembro, fica evidente o que conseguiremos alcançar no ano corrente, e nos dedicamos às prioridades ainda realizáveis. É o momento do choque de realidade.

E na virada do ano o ciclo recomeça, alimentado pela esperança e pela possibilidade de protagonizarmos um futuro melhor.

Neste final de ano, contudo, a situação foi diferente.

A pandemia nos colocou diante do fato de que o controle é uma ilusão, e o futuro, antes uma promessa, ganhou ares de ameaça.

Permanece a esperança de que um ano novo pode ser melhor, mas não sabemos o que deve ser feito, porque não temos controle sobre a maior incerteza (a pandemia).

COMEÇAMOS O ANO COM OTIMISMO, DESEJOS E SONHOS, MAS SEM DECISÕES E PROMESSAS

As conversas nas redes sociais refletem essa perspectiva.


Entre os dias 29 de dezembro de 2020 e 04 de janeiro de 2021 coletamos publicações nas redes sociais relacionadas com a chegada do novo ano.

Foram aproximadamente 4 milhões de publicações, geradas por 2 milhões de perfis.

O otimismo típico do momento permanece: 54% das menções positivas contra 23% negativas (2:1) e 23% neutras.


Desejos (16%) e Sonhos (9%) predominaram sobre Decisões (3%) e Promessas (1%).

Deus (7%), Familia (6%), Saúde (5%), Vida (4%), Paz (3%), Amor (3%) e Esperança (3%) foram os termos mais citados nas publicações que, de um modo geral, foram genéricas, apenas desejando um Feliz Ano Novo (35%).


Além das hashtags características da passagem do ano (#anonovo #felizanonovo #feliz2021 #happynewyear) #amor (5%), #saúde (4%), #gratidão (4%) e #paz (4%) se destacaram.

Ainda que indiretamente, as questões sociais permearam as publicações.

Na distribuição por grupos temáticos relevantes, Emprego/Trabalho (36%), Arte/Cultura (21%), Diversidade/preconceito (19%), Segurança/violência (14%) e Desenvolvimento Profissional (11%), lideraram o ranking.

Como de costume, as publicações com maior volume de interações (curtir, comentar, compartilhar) foram as das celebridades como Neymar Jr, Rafa Kalimann e Marilia Mendonça, que superaram 2 milhões de “likes”, mas sem muita inspiração, com frases curtas de agradecimento e desejos genéricos (felicidades, coisas boas, bênçãos).

As publicações com maior volume de comentários (algumas superando a casa dos 100 mil) foram as que fizeram sorteios entre os participantes, uma prática cada vez mais comum para impulsionar as páginas e fazê-las subir no ranking dos algoritmos.


A sensação que fica é a de que estamos todos em compasso de espera e que o ano novo só irá começar quando a pandemia acabar.


(fonte: equipe de analistas da CNN Brasil – monitoramento social Stilingue)