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SPIW | o 𝐩𝐚𝐫𝐚𝐝𝐨𝐱𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐞𝐯𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐨𝐯𝐚çã𝐨

A São Paulo Innovation Week, definida por seus organizadores como o maior festival de tecnologia e inovação já realizado em São Paulo, correspondeu às expectativas do público, apresentando os principais temas do mainstream da inovação.

Reforçou, portanto, o paradoxo dos eventos que se apresentam como vitrines da inovação: o que está na agenda é, em grande medida, o que o mercado já reconhece, já financia, já nomeia. Inteligência Artificial, Fintech, Agronegócio Digital, Futuro do trabalho, Transformação Digital, Regulação Digital... Esses temas estão em todos os eventos desse tipo, no mundo inteiro. E estiveram na SPIW também — com painéis importantes, palestrantes relevantes, plateias lotadas.

Isso não é crítica. É uma observação necessária para calibrar expectativas. O público espera ver o que ele reconhece como inovador. Quando o mainstream fala de inovação, ele está descrevendo o que já virou tendência, o que já tem nome e casos para apresentar nos palcos. Por convenção, os eventos procuram atender essa expectativa.

Mas — e aqui está o que interessa — há sempre fissuras. Pequenas rachaduras na superfície do convencional onde alguma coisa nova tenta abrir caminho.

Neste evento, pudemos identiricar algumas. O painel que reuniu uma monja zen, um líder indígena e um físico teórico para discutir o que é a realidade, um sinal de que a conversa sobre o humano está transbordando os limites das disciplinas — e que eventos assim começam a perceber que ciência, espiritualidade e sabedoria ancestral têm algo a dizer sobre o futuro que nenhum dado isolado consegue capturar.

Outro sinal: o painel que colocou em debate a pergunta "quando os dados começam a sentir?" — tratando consciência e tecnologia como território a ser explorado, não como ficção científica. Isso ainda não é mainstream, mas provavelmente será.

Agora, há paradoxos que o evento não resolveu e que merecem atenção justamente por isso. Uma trilha inteira dedicada à saúde feminina: menopausa, metabolismo, longevidade da mulher. Nada equivalente sobre saúde masculina, um tema crescente e com mercado emergente. Painéis propondo novas regulações para IA, mas nenhum debatendo a hiperlegislação como freio à inovação e à liberdade de expressão - o excesso de regras que sufoca exatamente o que o evento celebra. Havia muito sobre inclusão digital nas periferias. mas quase nada sobre o custo real de conectar o Brasil profundo — a infraestrutura, a energia, a manutenção.

Essas ausências dizem tanto quanto as presenças.

Eventos multifacetados como esse não existem para que você veja tudo — isso seria impossível. Existem para que você circule, observe, escute o que as pessoas comentam nos corredores, perceba o que provoca reação e o que não provoca. Para distinguir o que já virou produto do que ainda está virando ideia.

Observar o presente com atenção é a única forma de localizar os elementos portadores de futuro.

Alguns deles estavam na SPIW, mas nem sempre no palco principal.



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