O Brasil digital de 1500

Atualizado: 1 de Mai de 2019

Na Govetech 2019, promovida pela StartSe, discutiu-se como a tecnologia poderia contribuir para melhorar a organização, desburocratizar e reduzir custos da máquina pública, melhorando os serviços prestados à população no futuro.



A Dinamarca é uma importante referência global para a transformação digital dos serviços públicos.

Peter Kronstrøm, representando a Embaixada da Dinamarca, apresentou o painel "Danish Digital Transformation Journey and Future Perspectives”.

Peter é membro do Conselho do Centro de Inovação do Consulado Geral da Dinamarca e Head Latam do CIFS – Copenhagen Institute for Futures Studies.

Brasil e Dinamarca têm, desde 2015, uma área comum de cooperação estratégica para inovação e transformação digital pública.

Na primeira fase foi criado o G.NOVA, um laboratório de inovação para o desenvolvimento de soluções criativas para os desafios públicos, inspirado pela troca de experiências e atividades de aprendizagem com o corpo técnico do laboratório dinamarquês MindLab.

A segunda fase, já em curso (2019-2021), terá como foco a transformação digital do setor público, bem como a inovação e capacitação em direitos de propriedade intelectual.

O desafio é grande. Como mencionou Ciro Avelino, Secretário Adjunto de Governo Digital em seu painel “Transmutação digital do governo”, o Brasil tem 1.500 portas de entrada digitais para que o cidadão acesse os serviços públicos. A Dinamarca já unificou o acesso.

Peter salientou temas como a transição do empoderamento do cidadão, tutelado pelo governo, para a emancipação do cidadão, instrumentalizado para ser protagonista de sua existência no âmbito público, que está incorporada ao propósito da jornada dinamarquesa em busca da maior eficiência dos serviços.

“O governo deve encarar a tecnologia digital como uma oportunidade para reduzir custos, aumentar a eficiência e a transparência e atender melhor o cidadão.” - P. Kronstrøm

O representante da Embaixada Dinamarquesa também ressaltou que essa jornada ainda está em curso. Um dos temas em discussão no momento é a transparência do Estado, não só no que se refere às suas atividades, mas também com relação aos dados que detém de cada cidadão, coisa que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) promete tratar por aqui, na fase de regulamentação.

“Quanto mais informações sobre os indivíduos estão disponíveis, maiores são as possibilidades de atender melhor suas necessidades, nos serviços, na saúde e na educação. Mas a preocupação com o uso e a segurança dessas informações pessoais deve ser uma prioridade.”

A preocupação com nossa privacidade e a segurança é justificável, mas boa parte de nossas informações pessoais já estão distribuídas pelo mundo digital, acessíveis por instituições menos interessadas em nosso bem-estar do que o Governo.

Ampliar o acesso aos nossos dados pelo Governo é apenas mais uma área de risco, que pode trazer benefícios e facilidades significativas, o que deve ser suficiente para garantir a colaboração da população.

Questionado sobre essa possível resistência ao acesso de dados pessoais pelo Governo, Peter vaticinou: “Nunca subestime o apelo da conveniência”.