A reputação do STF melhorou ou piorou em 2026?
No final de janeiro de 2026, às vésperas da abertura oficial do ano judiciário, a SocialData realizou a avaliação da reputação digital antecipativa da instituição, alertando para a gravidade da crise institucional que já se configurava e indicando que o IRD (índice de reputação digital), calculado como a mediana das 10 dimensões avaliadas, estaria em um patamar considerado insuficiente (3,5/10), aproximando-se do nível considerado crítico (menor do que 3/10*).
Sete meses de muita tensão decorreram de lá para cá, culminando com a crise aberta entre os Ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O estopim teria sido a decisão do Ministro Mendonça, em 1º de setembro, de retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens entre o Ministro Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A cobertura da imprensa vem sendo intensa, diária e detalhada: reproduzem trechos dos relatórios da PF, descrevem as costuras de bastidores (quem apoia quem no plenário) e destacam o risco de desgaste da imagem da Corte.
Uma nova avaliação da SocialData, realizada nos primeiros dias de setembro de 2026, já contemplando os últimos acontecimentos, registra uma redução no índice de reputação digital de 6 das 10 dimensões avaliadas, com destaque para “Integridade e Ética dos Membros” e “Imparcialidade e Independência”, que atingiram patamares críticos (2,2 e 2,0/10, respectivamente), de difícil reversão. “Segurança Jurídica e Previsibilidade”, com nota 2,9, também rompeu a barreira dos três pontos.

A Reputação do STF desceu de 3,5 para 3,3, mantendo-se insuficiente, e a queda não foi maior porque o desempenho da instituição melhorou nas dimensões “Eficiência Operacional e Celeridade” (de 4,2 para 5,6 pontos), “Alinhamento Democrático” (de 3,5 para 4,3) e “Transparência e Abertura” (de 3,2 para 3,5).
A celeridade das decisões no primeiro semestre, as resoluções em temas como proteção ambiental, cotas, igualdade salarial e superendividamento, somadas à maior divulgação de informações no portal oficial, foram os aspectos mais positivos do período.
A Corte demonstra capacidade operacional e conserva atuação relevante em direitos e políticas públicas. O Portal do STF documenta mecanismos de transparência administrativa, e julgamentos de 2026 mostram continuidade da agenda constitucional. Entretanto, esse desempenho não neutraliza os danos gerados pela aparência de conflitos, pelo debate sobre limites éticos, pelo desacordo em torno do procedimento de apuração e pela exposição de tensão entre ministros.
O problema reputacional é particularmente grave porque atinge atributos que condicionam a confiança: isenção, integridade e consistência procedimental.
Flavio Ferrari
Especialistas e veículos jurídicos ressaltam déficits de ética, colegialidade, previsibilidade e conduta. A crise interna ampliou a exposição negativa e a nota da dimensão “Avaliação Especializada” caiu de 4,0 para 3,1, também aproximando-se da zona crítica.
É importante ressaltar que a pesquisa do DataFolha (abril/2026) indicou que 71% dos brasileiros reconhecem o STF como essencial à democracia, o que deixa um grande espaço para recuperação reputacional, na medida em que as questões preponderantes sejam encaminhadas. ◼
*Nota: A avaliação da reputação digital antecipativa, pela metodologia da SocialData, é mediada por algoritmos de IAs que interpretam, filtram, organizam e apresentam informações sobre organizações. Pretende refletir, portanto, “a opinião das IAs”, antecipando as respostas que darão quando questionadas sobre determinados temas. As notas são atribuídas de forma heurística, com base nas evidências encontradas, incluindo matérias jornalísticas, artigos de grande repercussão, pesquisas de institutos sobre o tema e sites institucionais.




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