• Editorial

ORGANIZAÇÕES E A CULTURA COLETIVA

No contexto da inovação aberta e da GIG economy (contratação por projeto), a cultura deixa de ser uma característica intrínseca da organização e assume a natureza coletiva.

Já é senso comum que a cultura organizacional é o grande desafio para que o caminho da inovação possa ser trilhado com eficiência.

Uma pesquisa realizada pela SocialData para o coletivo Open Innovation BR, publicada pela Época Negócios em agosto/19, entrevistou 126 profissionais de inovação de grandes organizações, startups, consultorias e negócios correlacionados com a inovação aberta. A transformação cultural foi apontada como uma das três necessidades do ecossistema de inovação por 70% dos entrevistados.

Embora, de fato, uma mudança cultural seja necessária para que as empresas possam retomar o caminho da inovação com a agilidade para aproveitar as oportunidades de um mundo em acelerada transformação, agora e no futuro, não podemos ignorar que esse mesmo futuro aponta para contextos onde a dinâmica de relacionamento entre empresas e profissionais terá formatos muito diferentes dos atuais.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Análises realizadas pelos especialistas do CIFS – Copenhagen Institute for Futures Studies e corroboradas por outras consultorias especializadas, como Mc Kinsey e Accenture, apontam para profundas transformações no trabalho do futuro.

A automatização e a inteligência artificial irão eliminar postos de trabalho caracterizados por rotinas operacionais e processos de decisão sistematizáveis. Novas competências, predominantemente analíticas, serão requeridas dos profissionais. O trabalho não terá nem espaço e nem tempo definidos, será portátil. Os vínculos trabalhistas serão mais flexíveis e um mesmo profissional trabalhará para várias empresas simultaneamente.

A relação entre as empresas também deverá evoluir para modelos mais colaborativos e de recursos compartilhados, como já acontece no ecossistema das startups, quase todas operando em modelos de protocooperação com Google, Amazon, IBM e Telecoms.

Nesse novo contexto de negócios que se configura, desenvolver uma cultura proprietária, isolada dos ecossistemas em que a organização atua, é ineficiente e, na maioria dos casos, provavelmente impossível.

Compartilharemos recursos com outras organizações, incluindo a força de trabalho. E mesmo as equipes internas tenderão a adotar modelos ágeis, aglutinando-se em grupos de trabalhos com acentuado grau de autonomia, interagindo diretamente com o ecossistema de negócios.

Para que essa dinâmica possa fluir de maneira ágil, eficiente e eficaz, não podem existir ilhas culturais destoantes. Todos os agentes do ecossistema precisam estar alinhados em seus aspectos culturais mais básicos.

Estamos falando, portanto, de uma cultura organizacional coletiva, uma espécie de inconsciente coletivo profissional que pauta comportamentos e atitudes de todo o ecossistema, e que precisam ser incorporados por cada organização e adaptados às suas características.

Colaboração, compartilhamento, confiança e comprometimento estarão no centro dessa nova cultura coletiva, como consequência do desenho dos novos ecossistemas de negócio (‘by design’).



Amelia Caetano

Associate Partner

Copenhagen Institute For Futures Studies

Bee Consulting

Instituto Trabalho Portátil